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Blip, a empresa que quer ser o melhor local de trabalho do mundo

2 Agosto 2013
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Blip

As gigantes tecnológicas distinguem-se não só pelos seus produtos inovadores e apetecíveis, mas também pelo ambiente de trabalho mais ou menos descontraído. No Porto, há uma empresa assim. Anda-se de trotineta pelos corredores, joga-se matrecos ou consolas, faz-se uma refeição numa cozinha que parece a lá de casa. E, nos intervalos, programa-se ou será ao contrário?

A Blip é um caso de sucesso entre as empresas tecnológicas em Portugal. Surgiu em março de 2009 pela vontade de dois amigos de faculdade que, insatisfeitos com as suas rotinas de trabalho, resolveram investir num projeto pessoal. “O objetivo dos fundadores foi criar um espaço onde gostassem de ir trabalhar todos os dias”, conta Sofia Reis, gestora de operações da Blip, ligada à empresa desde março de 2010.

A Blip começou a funcionar, em 2009, na casa de José Fonseca, um dos fundadores. Hoje em dia o espaço de 1500 metros quadrados num edifício no centro do Porto é uma prova do crescimento rápido da empresa. Ali trabalham mais de 100 pessoas, na sua maioria programadores, developers como são também muitas vezes chamados, com uma média de idades de 28 anos.

Mas este crescimento da Blip deve-se, em parte, ao facto de ter sido comprada, em outubro 2010, pela multinacional TSE Holdings Limited, detida pelo grupo Betfair, especializada em apostas online. “Hoje em dia, nós somos a Betfair, não há esta relação de cliente e fornecedor externo”, explica Diogo Velho, gestor de projeto da Blip. “Somos a empresa de desenvolvimento tecnológico web e mobile da Betfair”, reforça.

Comparada a Google ou Facebook

Quando se entra no quarto piso do Edifício Domus Trindade, salta à vista uma mesa de matrecos, quase sempre ocupada, duas consolas Arcade, uma delas do famoso jogo pinball, um saco de boxe, uma mesa com outra consola mais moderna e, ao lado, alguns instrumentos musicais. É assim que um visitante é recebido na Blip, com descontração, informalidade e boa disposição.

Ingredientes fundamentais para a satisfação e bons resultados dos seus funcionários, que podem “organizar-se na parte do trabalho e do divertimento, tendo a certeza que conseguem entregar os projetos, mas de uma forma mais divertida e colaborativa”, salienta Sofia Reis.

Mais alguns passos em frente e chega-se a uma cozinha ampla onde todos os dias são servidos pequeno-almoço e refeições ligeiras aos blippers, nome dado a quem faz parte da empresa. Chegamos à hora do pequeno-almoço e a azáfama é grande: há quem esprema laranjas, há quem beba café, há quem prepare sandes ou torradas. Todos agem como se estivessem na cozinha lá de casa. No fim da cozinha, um quadro se onde partilham ideias e conhecimentos sobre vários temas. Estes elementos contribuíram para que a Blip tenha uma cultura própria e seja comparada com outras empresas tecnológicas, como a Google, Facebook ou Skype.

Ao passar a porta de vidro que separa a cozinha do espaço aberto cheio de secretárias, puffs, sofás e quadros entra-se num mundo à parte. Aqui é onde se trabalha. Escrevem-se códigos nas paredes, propositadamente, quase toda a gente está com os seus auscultadores, olhos colados aos ecrãs dos computadores.

Não há horários de trabalho, mas sim objetivos que têm de ser cumpridos nos seus prazos. “Não temos horários fixos, as equipas acordam entre elas qual é o melhor horário para começarem”, diz Sofia Reis, sublinhando que “esta autonomia e esta responsabilidade fazem com que as pessoas não tenham listas de tarefas todos os dias”.

Cada ilha de secretárias corresponde a uma equipa de programadores, cada uma com o seu nome e identidade próprias. No fim de uma das alas do open space, vemos um cato e alguns elementos decorativos que lembram o México. Chegamos ao território dos Desperados, que é, segundo Filipe, “a melhor equipa da Blip”. O ambiente de competição saudável é normal e, cada elemento novo que chega, integra-se rapidamente numa das equipas.

Filipe é programador da empresa desde fevereiro do ano passado. “Mal vi o espírito que a Blip tinha, não tive nenhuma dificuldade em aceitar, integrei-me logo”, conta. Ao seu lado, Bruno, blipper desde agosto de 2012, deixou o emprego anterior, também numa grande empresa, porque estava à procura de novos desafios e encontrou na Blip um local de trabalho com uma cultura completamente diferente. “Não sinto que haja uma rotina, porque quando sentimos que precisamos de fazer uma pausa, fazemos, vamos falar com colegas com quem já trabalhamos ou vamos até à cozinha”, descreve.

Uma empresa do Porto

A Blip nasceu, cresceu e pretende continuar a evoluir na cidade Invicta. Esteve incubada na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto, até ter ido para os novos escritórios na Trindade. “O Porto surge como uma localização estratégica para o negócio porque a nossa casa-mãe localiza-se em Inglaterra e o nosso time zone é exatamente o mesmo, o que faz com que seja muito fácil comunicar”, realça Diogo Velho. Além disso, “o Porto evidencia-se pela sua componente forte em engenharia com duas grandes faculdades e isso fez também com que a Blip pudesse crescer de uma forma muito confortável”, completa.

Até dezembro, a Blip quer chegar aos 150 colaboradores e está em fase de recrutamento. Não há limites de idade mas o candidato deve ter já um espírito “blipper”, “querer trabalhar de uma forma muito competente e profissional mas também muito relaxada e descontraída”, caracteriza Diogo Velho.

A Blip quer continuar a crescer, até porque não tem sentido os efeitos da crise na procura pelos seus serviços. “A crise sente-se sempre, nem que seja pelas medidas governamentais que depois condicionam a atividade da empresa. Ao nível de procura do nosso produto no panorama internacional, temos estado a crescer, o grupo tem estado saudável e, portanto, as perspectivas são muito boas”, conclui Diogo Velho.



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