Se a reflexão em torno da implementação de modelos de Learning Organizations está lançada, falta lançar um tema que assenta num dos pilares principais (que são dois) fundamentais para um modelo de organização que, quer pelo tempo, quer pela Inovação, quer pela capacidade de se adaptar, tem que ter como essência na sua estrutura. Falamos da Mensagem. Se o conceito em si é simples e basilar, a sua prática é determinante para a utilidade, oportunidade e validade da Informação. Pode ser elementar a ideia de que, para haver partilha de informação é necessário que haja uma transferência de uma mensagem entre um Emissor e um Receptor.
Se a ideia é elementar, tal não é a sua prática numa organização. Por um lado porque temos que pensar que, muitas vezes o emissor não é uma pessoa individual mas uma equipa de projecto, um departamento ou uma unidade mais ou menos autónoma. Por outro lado, temos que associar a esses elementos colectivos uma “linguagem” característica. Por outro lado ainda, associar a ideia que os canais e modelos de comunicação podem ser diversos.
Ora se, por exemplo, os alunos promovem projectos em forma de um canal interno de televisão ou os serviços institucionais da UA gerem e transferem informação, a questão está, na capacidade que a Universidade de Aveiro, na diversidade da Informação que cria, de conseguir encontrar um modelo facilitador e clarificação (promovendo articulações a montante e a jusante do objectivo comunicacional) para as mensagens que sustentam essa informação. Fica o desafio de mais uma reflexão como base das ideias a discutir no EdubitsUA 09 e a provocação já habitual…










Gostei da reflexão e totalmente enquadrada nos objectivos do Edubits!
A minha maior dúvida é relativa à seguinte afirmação:
“a questão está, na capacidade que a Universidade de Aveiro, na diversidade da Informação que cria, de conseguir encontrar um modelo facilitador e clarificação (promovendo articulações a montante e a jusante do objectivo comunicacional) para as mensagens que sustentam essa informação.”
Neste contexto, o que se entende por Universidade de Aveiro? A instituição e os seus serviços ou a comunidade?
Esta questões tem reflexo num problema com que nos temos debatido no desenhar da homepage do SAPO Campus. Devemos optar por um página baseada na opinião da comunidade ou gerida pela instituição? Optando por um modelo que compreenda as duas componentes como é que podemos conseguir um equilíbrio de modo a não defraudar expectativas dos diferentes públicos internos e externos?
A mensagem, a partir do momento em que é emitida, deixa de estar definida pelos contornos e significados que o autor/emissor lhe conferiu e pelos quais a pensou, e passa a estar sujeita à interpretação, assimilação, discussão e mesmo crítica pelo receptor.
(vou utilizar “emissor”, “mensagem” e “receptor” no sentido comum - aquele que emite, o que é emitido, aquele que recebe – embora seja de opinião que os conceitos deveriam ser actualizados)
Neste sentido, uma única imagem pode ter diferentes interpretações, um mesmo texto diferentes significados e uma única ideia diferentes perspectivas.
No caso específico que o Carlos refere – a homepage do SAPO Campus – penso que a linha de orientação deverá residir precisamente no equilíbrio: criar algo que, ao mesmo tempo que representa a instituição, possibilita aos utilizadores (e aqui temos alunos, docentes, colaboradores e público externo) uma identificação com o ambiente que lhes é apresentado.
Como conseguir isto? Não sei. Mas podemos conversar sobre o assunto no próximo dia 6
Esta questão e curiosa: “Devemos optar por um página baseada na opinião da comunidade ou gerida pela instituição?”
A resposta, a meu ver, está na capacidade de criar um modelo de “avaliação” (o conceito - avaliação - é incompleto pois envolve mais do que isso, jogando entre o interesse, a pertinência e a validade, mais próximo do conceito de “rating”) que permita uma equivalência entre a análise de interesse da comunidade e a validade da mesma para a instituição. A resposta torna-se tão mais simples quanto esse processo de “avaliação/rating” passa pela definição clara do objectivo fundamental e basilar do recurso.
É, de facto, uma boa discussão para dia 6
A dificuldade nesse processo é que a análise de interesse e validade é altamente subjectiva e, no contexto de uma universidade com múltiplas áreas científicas, ainda mais complexa de resolver.
No caso do SAPO Campus, se a homepage for apresentada como o espaço para destacar os contributos da comunidade, a existência de mecanismos institucionais para promoção/controlo/validação desses conteúdos não pode representar por si só um problema? Será que não devemos levar esta discussão para o domínio da ética?
E assim se encontra o principal desafio do SAPO Campus (e que, provavelmente, esteve na origem do interesse demonstrado em apresentações anteriores): a dimensão institucional de um conceito que tem vindo a ser defendido como pessoal : )
Relativamente à questão da ética… lembro-me, de repente, de uma passagem do Matrix Reloaded: “Choice is an illusion, created between those with power, and those without” (Merovingian)
Ao dar à comunidade o poder de escolher e a um grupo específico o poder de decidir não se estará a adulterar os contornos da democracia?
Deixo um excerto de uma obra para reflexão…
O problema da consciência
“É a consciência que torna o problema mente‑corpo intratável. [...] A experiência consciente é um fenómeno generalizado. Ocorre em muitos níveis da vida animal, embora não possamos estar certos da sua presença em simples organismos e se torne muito difícil dizer, em geral, o que confere evidência dela. [...] Sem dúvida alguma [experiência consciente] ocorre em inúmeras formas totalmente inimagináveis para nós, noutros planetas de outros sistemas solares através do universo. Mas independentemente do modo como possa variar, o facto de que um organismo tem realmente [at all] consciência, significa basicamente que há algo que é ser esse organismo. [...] Podemos designar isso como o carácter subjectivo da experiência. Esta [experiência] não é apreendida por nenhumas das familiares [...] análises redutoras do mental, pois todas elas são logicamente compatíveis com a sua ausência. Não é analisável em termos de um sistema explicativo de estados funcionais, ou estados intencionais, visto que estes poderiam ser propriedades de robots e autómatos que se comportassem como pessoas embora não experimentassem nada. [...] Não nego que os estados mentais conscientes e acontecimentos causem comportamentos, nem nego que não se possam dar caracterizações funcionais. Apenas nego que este tipo de análise seja exaustiva. [...] Se a análise deixa alguma coisa de fora, o problema está mal colocado. [...] Para exemplificar a conexão entre a subjectividade e um ponto de vista, e para sublinhar a importância dos aspectos subjectivos, ajudará explorar o assunto tendo em conta um exemplo que mostre claramente a divergência entre dois tipos de concepção, subjectiva e objectiva.
Assumo que todos nós acreditamos que os morcegos têm experiências. Afinal de contas, são mamíferos, e não existe qualquer dúvida que têm experiência do mesmo modo que os ratos, os pombos ou as baleias têm experiência. [...] A essência da crença de que os morcegos têm experiências é que há algo que é ser como um morcego. [...] Os seus cérebros estão feitos de modo a relacionar os impulsos propulsionados com os ecos subsequentes e a informação recebida permite aos morcegos uma discriminação precisa de distância, tamanho, forma, movimento e de textura comparável àqueles que temos através da visão. Mas o sonar de um morcego, embora claramente uma forma de percepção, não é de forma alguma similar na sua operação a nenhum dos sentidos que possuímos e não há razão para supor que é algo que subjectivamente nós possamos experienciar ou imaginar. [...] Quero saber o que é para um morcego ser um morcego. [...] O que permanece de se ser um morcego se se remover o ponto de vista do morcego? Mas se a experiência não tem [...] uma natureza objectiva que possa ser apreendida por muitos pontos de vista, então como poderemos supor que um marciano investigando o meu cérebro pudesse pela observação dos processos físicos apreender os meus estados mentais [...]?” (Thomas Nagel, Mortal Questions, Cambridge Univ.Press, 1979, pp.165‑174).
Mónica, concordo com essa perspectiva mas sendo mais específico diria que a dificuldade/novidade neste caso tem por base um cenário onde os espaços pessoais são suportado institucionalmente e onde a informação é partilhada em serviços Web 2.0 fornecidos pela instituição. Este cenário coloca a instituição uma posição nova e com capacidade para gerir os espaços que saem fora do domínio pessoal, por exemplo, a homepage geral do SAPO Campus e as homepages dos diferentes serviços (blogs, vídeos, fotos,…).
Do pondo te vista de quem está a desenhar e implementar a grande questão é que ferramentas devem ser dadas à instituição para gerir esses espaços. Se essas ferramentas permitirem controlar/gerir tudo, a tentação não será demasiado grande?
Alguém ajuda a digerir o comentário da “consciência”?
Em Junho de 2007 participei num encontro/sessão onde se falou sobre bibliotecas e Web 2.0.
Mais interessante do que conhecer os trabalhos que estavam a ser desenvolvidos pela biblioteca anfitriã, foi a discussão que se gerou sobre a utilização “não autorizada” de um blog que, enquanto associado à Universidade, não tinha sido devidamente “validado” por quem de direito.
Já não me recordo de tudo mas sei que saí de lá a pensar em duas coisas: na exposição interessantíssima que dava uma nova vida ao espaço, e no perigo da utilização de uma ferramenta aberta e não controlada pela instituição-mãe.
O logo, as cores, o nome. Tudo elementos-propriedade da instituição, utilizados sem controlo prévio. AHA! Controlo.
A tentação será sempre demasiado grande, Carlos. Mais ainda, os tempos - e as pessoas - passam e a Instituição fica.
Pensa nisto: se Deus, no lugar de plantar a macieira no meio do Éden e ordenar “não comam do fruto”, tivesse criado mecanismos que dificultassem o acesso à fruta (pah, basta pensar nas amoras)… será que Adão e Eva teriam emigrado tão cedo?
(sobre a questão da consciência: não me atrevo… o nome do livro “Mortal Questions” diz tudo :P)
Fiquei sem perceber o que defendes ao certo
Para mim é óbvio que a instituição tem que ter alguns privilégios que possibilitem a criação de um conjunto de regras de utilização dos serviços. Essa parte é pacífica.
Vamos agora falar da homepage. Exemplos concretos entre outros possíveis:
- ferramenta de gestão da homepage que garante que todos os conteúdos colocados são controlados pela instituição. Isto permite que a instituição decida a cada momento o que é mais importante para si estar na homepage, independentemente de serem conteúdos institucionais ou gerados pela comunidade.
- homepage gerada por métricas aplicadas a todos os conteúdos sendo que a instituição tem uma ferramenta que possibilita bloquear alguns conteúdos desse espaço e também promover “artificialmente” o que bem entender.
- homepage gerada por métricas aplicadas a todos os conteúdos sendo que a instituição apenas tem uma ferramenta que dá a possibilidade de bloquear conteúdos.
- homepage com áreas separadas para identificar o que é promovido pela comunidade e o que é promovido pela instituição.
O que preferiam? Porquê? Outras ideias?
De todas as ideias a que me parece mais interessante é esta: homepage com áreas separadas para identificar o que é promovido pela comunidade e o que é promovido pela instituição.
Mas… e porque não colocar a hipotese de interacção entre os dois campos? Com um sistema de “votação” (desculpem mas tenho aversão a conceitos fora da língua materna). Por exemplo, que permitam aos elementos da comunidade destacar o que mais lhes interessa no campo da informação institucional e vice versa…
O conceito de votação/recomendação já existe no SAPO Campus e é transversal a todos os serviços.
A solução que preferes levanta o problema na quantidade de informação a representar. No desenho da homepage já temos que lidar com uma dificuldade grande que é a representação de conteúdos de vários serviços: videos, fotos, blogs, social bookmarking… O querer representar essa informação em duas dimensões paralelas (comunidade e institucional) torna o desafio de uma complexidade extraordinária.
Então porque não seguir o modelo Youtube?
1. Por interesse para o utilizador.
2. Destaque da comunidade.
3. Destaque institucional.
É uma possibilidade mas o Youtube tem um modelo mais simples de resolver porque só tem que mostrar vídeos. Tenta aplicar a esse modelo a necessidade de destacar também fotos, posts, bookmarks, wikis,…
Não é simples